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Estado de saúde oral dos Portugueses Quarta, 20 de Janeiro, 2010

Conheça a opinião do nosso Director Clínico e Médico Dentista – Dr. Pedro Rabaço, em relação ao estado de saúde oral dos Portugueses, o tipo de consultas mais procuradas e considere os conselhos do nosso especialista.

As consultas de higiene oral, ou seja, a preocupação com a prevenção já está estabelecida na sociedade portuguesa?
A preocupação com a saúde oral tem vindo a aumentar bastante nas últimas décadas. No entanto, ainda é insuficiente, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Deveria aumentar-se o investimento no ensino pré-escolar e primário, para que as crianças, desde pequenas, se apercebam da importância da utilização da escova dentária, do fio dentário, etc.

Considera que existe uma crescente preocupação com o sorriso ideal e com a imagem?
Sem dúvida que sim. Um sorriso bonito é, muitas vezes, considerado um excelente cartão de visita e eu concordo plenamente. Observo com frequência que pacientes com sorrisos menos bonitos apresentam uma auto-confiança diminuída. Sabemos como a nossa imagem é importante. Estudos científicos demonstram, por exemplo, que em entrevistas para emprego, uma imagem e um sorriso bonitos aumentam significativamente a probabilidade de sucesso.

O descuido da saúde oral pode causar problemas que afectem outros órgãos do corpo?
A saúde oral é certamente importante para o bem-estar geral das pessoas. Existem imensas implicações na saúde geral quando esta não está controlada. Por exemplo, está comprovado que mulheres com doença periodontal (doença das gengivas e do osso que suportam os dentes) apresentam maiores taxas de partos prematuros.

Sabe-se também que processos inflamatórios e infecciosos na boca transmitem as substâncias nocivas intervenientes nestes processos, através da corrente sanguínea, as quais se podem alojar em órgãos e articulações e provocar, deste modo, danos a longo prazo. Daí que os atletas de alta competição sejam obrigados a uma monitorização rigorosa da saúde oral, para prevenir estas situações.

Quais as consultas mais frequentes: prevenção, intervenção ou estética?
Todas as consultas são frequentes. O facto de sermos uma equipa multidisciplinar de médicos dentistas e higienistas, em que cada elemento tem as suas áreas específicas de intervenção (desvitalizações, implantes, cerâmicas, branqueamentos,..), faz com que cada médico dentista seja solicitado para actuar na sua área de especialidade, o que constitui uma importante mais-valia para o paciente.

Que conselhos daria aos portugueses relativamente à sua saúde oral?
Aconselharia a apostarem o mais possível na prevenção. O uso diário da escova e do fio dentário é um investimento importante na sua saúde, constituindo também uma importante poupança, dado que a higiene oral e as visitas periódicas ao dentista evitam o aparecimento de situações mais graves, que podem levar a tratamentos muito mais dispendiosos.

Aconselharia também algo que, neste contexto, parece um parodoxo. O excesso de escovagem! Vejo cada vez mais pacientes com sinais evidentes de desgaste de esmalte e gengivas agredidas. Escovar mais do que duas vezes por dia, escovar com escovas que não são macias e escovar com muita força representam um excesso de zelo que o paciente a médio/longo prazo vai pagar caro. Com o desgaste do esmalte estamos a eliminar a porção mais branca do dente. Provocamos assim, ao longo do tempo, o escurecimento dos dentes, quando a intenção de quem os escova desta forma é também ficarem mais brancos.

Dr. Pedro Rabaço é licenciado em Medicina Dentária pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, Aluno de Doutoramento e Assistente Convidado da disciplina de Prostodontia Fixa na mesma instituição, Pós-Graduado em Implantologia, com formação em Métodos de Pesquisa Clínica na Medicina Dentária (Universidade de Washington, EUA).